Nós também sangramos a alma...

 O que te dói menina? 

Dói algo que nem sei descrever, mas sei que é crônico, que é intenso, e que me deixa triste; Não é dor de corpo, mas faz o corpo doer e, faz a alma estremecer. 

É de uma profundidade tão grande que me leva a um vazio, a um não lugar, a um não tempo. 

É de uma intensidade tão grande que ofusca meus sonhos, ofusca meus desejos.

Não é doença física, quisera fosse! As ervas me curariam. 

Também não é doença da mente. Quem dera fosse e me fizesse esquecer a sensação que estou tendo. 

É dor de alma. E quando a alma dói , quando ela se entristece, não conheço remédio. 

Sim, ela se remenda. Sempre se remenda, mas jamais será o tecido que um dia foi. Vamos vivendo nossa vida assim: uma colcha de retalhos, uma alma cheia de cicatrizes, fingindo que não, elas não existem... ou nos fortalecendo a cada remendo.

No caminho?  Flores, risos, espinhos, pedras, pessoas... ah pessoas... Saudades da minha cabana no meio da floresta. Saudades do meu isolamento, de acordar em paz, dormir ouvindo os sons noturnos e sendo feliz comigo mesma.  Ah, como são doces as noites de chuva na solidão do nosso ninho!

Aos que pensam que bruxas vibram alto o tempo todo, lamento informar que temos nossas fraquezas sim, que sentimos tristeza sim.  Mas, sabe o que nos difere? É o que fazemos com nossas lágrimas. 

Lágrimas de mulheres despertas são únicas. A maior parte de nós não se permite chorar duas vezes pelo mesmo motivo. Ah, como são poderosas estas lágrimas nos encantamentos... Pois vamos nos permitir sentir toda a intensidade da dor de uma só vez. E nunca mais iremos chorar pelo mesmo motivo. 

E há algo de sublime neste ato. Ele, por ser muito intenso, nos liberta.  Nos faz flutuar para além de toda a dor e ir direto no seu ponto de concentração. Não guardamos rancor, nem mágoa. Não é da nossa essência. Nosso amor é puro, é intenso, é sublime. E por isso mesmo não há motivos para guardarmos ou termos por perto nada que nos faça sofrer. 

A experiência da dor é algo que não desejamos, mas que nos fortalece. Saímos dela muito melhores do que entramos. Sabendo que podemos superar tudo, nos orgulhando da mulher poderosa que nos tornamos. 

Nossa primeira e maior lição ao despertar é o autoconhecimento, e junto com ele o amor próprio. E nos afastar do que nos faz vibrar baixo é também ato de amor, de autocontrole, de autoconhecimento e, acima de tudo, de respeito por nós mesmas. 

Que assim seja.